Pedi ao meu vizinho de cima, em três ocasiões diferentes, que parasse de jogar saquinhos de chá usados na minha varanda. Na primeira vez, ele pediu desculpas. Na segunda, agiu como se não fosse nada demais.
Na terceira, ele chegou a rir.
Então, parei de pedir.
Todos os dias, os saquinhos de chá dele vinham voando por cima do parapeito.
Um costumava aparecer por volta das sete da manhã.
Outro frequentemente surgia lá pelas nove da noite.
A rotina dele tornou-se tão previsível que eu mal precisava olhar o relógio.